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Hoje tá tudo bem.

Lembra quando eu disse que a “dita” não tem mês e nem lugar? Também não tem hora e nenhum respeito pela sua maquiagem.

Meu último texto foi sobre depressão, não por acaso, seguiu-se algumas semanas do mais puro nada.
“To resolvendo umas paradas”, “to com sinusite”, “‘to fazendo exames”... Sim, eu estava fazendo tudo isso que eu disse pra Dan (a.k.a Tia Du), e também tinha uma vozinha dentro de mim me impedindo de escrever dizendo que eu não tinha nada de bom pra falar, que não era o tema da coluna, que nenhuma idéia era boa o suficiente pra virar texto. Mas tudo bem, eu andei mega ocupada, então era isso né? NÉ?

Eis que hoje acontece. Tanto tempo sem nem sinal e aí, no meio de uma manhã de terça normal em que eu fazia o mesmo que em toda terça feira (infelizmente não é tentar dominar o mundo, Pink), conversava com pessoas no Meetup, ela veio, como um soco no estômago desses que dá enjoo, de ver estrelas, perder o ar.

Crise de pânico.

Alerta tremedeira vou chorar quero correr e se eu gritar?.

Por um momento parece que a sua mente está longe do resto do corpo e dos outros pensamentos, você está mas não está e as sensações transbordam e nada parece no lugar.

Tive que usar cada pedacinho de coerência que me restava pra pedir ajuda. Liguei pro marido, por sorte ele aqui tem carro e não trabalha muito longe, vai ficar tudo bem.

“Tem reunião em alguns minutos”. Droga, não vai ficar tudo bem.
“Já avisei todo mundo, to indo te pegar” O que eu faço?
“Me espera no lugar que eu costumo te deixar aí” Isso! Instruções, objetivo simples, lugar conhecido.

Espera, espera…

Chega a cavalaria sorrindo. A cavalaria sabe que a gente se sente culpada por entrar em crise, por “incomodar”, por quebrar a bonanza.

Cada pedacinho de mim doía. Por segurar o choro, por se segurar no lugar, pra tentar não tremer, não balançar.

Vamos lá fora eu preciso… desabar é isso que eu preciso. E eu desabo. E choro e tremo e quase vomito. Não é bonito, não é fofo, não é romântico.

E doi, o corpo doi, e eu quero me desculpar por “atrapalhar”, por “não ser normal” (whaaat?) “por dar trabalho”.

Me pergunto como deve ser legal não ter essas coisas. Não ter crises… Em suma, não ser eu.

Passou um pouco, tô “meio melhor”, vou ficar bem.

E vou, sei que vou, estou já, estou aqui, escrevendo, mesmo que não seja o melhor texto, o melhor momento, o tema da coluna, uma boa idéia.

É o que tem pra hoje e como nos outros dias em que a coluna não saiu eu tinha “um motivo” pra me segurar, pra justificar não colocar nada aqui, mas hoje não. Hoje faço ainda mais questão que saia, pra mostrar que isso não tem que definir nem um dia da minha vida. Que aconteceu, passou, e bola pra frente. Pra mostrar pros outros dias que nem sempre ta no escopo, nem sempre é o melhor, mas sempre o melhor é continuar, e continuar é imperfeito e o imperfeito é.

Nada nunca vai ser perfeito. Toda ação tem uma reação que gera ondas e ondas de consequências, problemas, coisas a se pensar.

Se toda vez que algo acontecer a gente pensar primeiro no que isso vai gerar de problemas, nunca nada vai estar bom e vai ser bem difícil ficar feliz com qualquer coisa.

Hoje uma coisa ruim aconteceu e ela me deu um chacoalhão que faltava pra perceber que não, eu não estava ocupada, eu estava com problemas de auto estima, eu estava insegura, eu estava deixando coisas irem para debaixo do tapete.

Hoje não. Hoje tem texto e é imperfeito e quer saber? Tá tudo bem.

Essa é a cara pós choradeira, e tá tudo bem. 


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