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Filhos? Não, obrigada.







Ultimamente, tenho sido surpreendida por uma pergunta não muito sensata das pessoas ao meu redor... “Olivia, porque você não tem um filho?”

Bem, eu não sei se a pergunta se dá pelo fato de eu estar quase atingindo os meus 29 anos e desta forma, estar ‘’vencendo o meu prazo’’ perante as normas da sociedade ou se por apenas as pessoas não suportarem me ver feliz sozinha e assim, acharem que preciso ter uma companhia. Contudo, o problema aqui é que, ao escutarem minha resposta muitos se chocam: Filhos? Não, obrigada. É claramente perceptível o espanto das pessoas a partir daí, pareço nitidamente ter praticado um pecado mortal ou crime hediondo ao dizer isto. Negar algo tão sublime e divino? Mas como eu ouso?

Por favor, vamos inverter agora.

Como o mundo ousa me impor goela abaixo a função maternal, apenas por eu poder gerar um neném? Na realidade, é como impor aos pássaros que caminhem unicamente por terem patas. Ter a condição não significa a obrigação de se realizar o ato.

Hoje, inúmeras mulheres já se deram conta de que ser mãe não é um objetivo verdadeiro e tão só, por verbalizarem esta verdade, seguem sendo julgadas e apontadas inclusive por diversos homens, que do alto de seus privilégios existenciais, se sentem ainda no direito de exigir um filho de nós.

A falácia ainda se reverbera, sem um desejo íntimo de constituir uma família, a mulher não tem serventia para a coletividade, afinal, no fim, ela irá acabar velha, sozinha e cheia de gatos.

Que trágico, não? Não.

Muito mais trágico seria que essas mulheres fizessem algo a contragosto, único e exclusivamente para satisfazer uma ambição social, que certamente irá reprová-las por ser uma péssima mãe depois ─ e tudo isso levando em consideração que esta cobrança materna se mostra tão fácil quanto respirar. Não se fala aqui da dependência eterna que este novo ser no mundo terá de sua progenitora, dos gastos e responsabilidades diárias que a mesma precisará se dispor, sem nem mesmo saber se de fato tem aptidão para tal.

Essas várias mulheres estão a raciocinar bem mais, que aquilo que as influenciam de praxe.
Para mim, este planetoide já teve a sua cota. Acho que dá pra passar a minha vez.
Ah! E só mais um adendo: Não! Eu não odeio crianças, apenas eu não quero ter uma.

Quem quiser me dar um gato, estarei aceitando de presente.

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