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De Rios à Mares, sobre conhecer novas águas

Devo começar dizendo que eu sou de Cancer, e isso não significa muito pra mim exceto quando posso usar como desculpa esfarrapada. Mas isso faz meu elemento ser Água, e pela poética ou pela circunstância, eu me identifico bem mais com essa característica determinada pelas estrelas.

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Rio Mondego, Coimbra 

Eu também sou uma pessoa que teve o privilégio de poder viajar para vários lugares, quase sempre sozinha, e sem objetivos super definidos. E o que o mundo vai te dizer, e ele provavelmente está certo em algum nível, é que uma viagem bem planejada é melhor aproveitada. Sem planejamento você não vai conseguir visitar tudo o que gostaria, vai gastar mais tempo em filas e transporte, perder aquela atração super concorrida, e acabar tendo que comer um fast food as 16h da tarde porque é o que tem aberto e dentro do seu orçamento. Mas sendo uma pessoa de água, esse meu amor ao improviso faz parte de mim, e por mais planners que eu tenha impresso, ou apps que tenha baixado, eu nunca consegui seguir um itinerário direito. Demorei um pouco mas acho que finalmente entendi que pra mim, viajar não é sobre seguir um plano, mas sobre explorar um lugar ao mesmo tempo que descubro o ritmo de movimento dele, e é aqui que os rios, mares e lagoas se tornam meu ponto de partida!

A água de um lugar vai afetar a sua saúde, sua pele, vai mudar o seu cabelo (e acreditem, ela pode fazer milagres ou tragédias deles). Ela influencia a culinária e é responsável pela grande maioria das melhores paisagens. Mais do que isso, os rios e mares quase sempre são o centro de movimento e vida de uma cidade. É onde nos reunimos para comer e socializar, ver o pôr do sol e tirar as melhores fotos.

Estar na Itália no verão, por exemplo, é sentir felicidade sempre que cruza por uma das milhares de fontes potáveis espalhadas pela rua, e saber que se tem uma aglomeração, é por uma fonte ou um prédio histórico, provavelmente ambos.

Em Porto o rio é a característica mais importante da cidade tanto como meio de transporte, como historica e turisticamente! Ele dita o ritmo da cidade à anos, e ainda hoje você raramente vive na cidade, sem ter alguma atividade ligada ao Douro.

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Douro, Porto 

O pôr do sol no Guaíba é uma das maiores atrações de Porto Alegre, e um dia nunca termina sem um grupo de locais e turistas dividindo a vista em silêncio.

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Guaíba, Porto Alegre

Estar nesses lugares e fazer parte desse ritual coletivo de observação da água me faz sentir parte de uma cidade como outros pontos turísticos nunca me fizeram. É um momento de movimento e pausa simultâneos. Seguir o beira rio, ou saber em que direção ele esta, me dá um norte sempre que me vejo perdida, observar o sol se aproximando da água, me diz que é hora de parar e relaxar, porque correr para a última hora de entrada daquele museu vai me fazer perder muito mais do que a chance de passar correndo por obras que demandam atenção e tempo.

Eu sempre vou embora de um lugar com um misto de encanto e tristeza por tudo o que vi e o que perdi devido a minha falta de planejamento, mas no final das contas, aprendi que se não é pra deixar saudades, memórias, e a promessa (mesmo que improvável) de voltar para se ver o que perdeu, não é o meu tipo de viagem. E é pra falar sobre esse tipo de viagem que eu espero reencontrar vocês nessa coluna!


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