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Beleza não é valor, por favor!

15:00Danuta Raposo Nunes

É absolutamente inquestionável o peso que a beleza tem ─ e sempre teve ─ na vida de nós mulheres. Desde crianças somos condicionadas a andar de lacinhos, brincos de florezinhas e sorriso nos lábios, semelhante á bonecas perfeitas, arrancando diversos elogios de toda a família.
O tempo passa, a gente cresce e a coisa só piora. Quando entramos na adolescência, mediante a brutal exposição á duvidas e inúmeras referências estereotipadas, começamos a nos opor aos nossos próprios corpos, formas, texturas capilares e até mesmo cor dos olhos. Tudo isso, em vista de uma aparência ditada magnífica que nos é cobrada e que se não é devidamente atendida, nos coloca a um pagamento muito caro: a falta de estima ─ o que me arrisco seriamente a dizer que tem sido o grande mal feminino nos últimos tempos.
Mais tarde, vem à fase adulta onde ainda muito preocupadas com esse tipo de conceito em estarmos belas a todo custo, caímos na armadilha do medo do amadurecimento e velhice, o medo de deixarmos de sermos atraentes e com essa tese perdemos o sentido na vida. A partir disto, é que começamos a ser adeptas ─ não exatamente por vontade, contudo, pelas falsas verdades imputadas ─, aos procedimentos estéticos a fim de adiarmos ao máximo, as marcas que o tempo trás a qualquer um.
Não há limite na perversidade desse assunto. Essa questão segue muito além do discurso em voga dos padrões de beleza caucasianos, magros e longilíneos que implantam por aí. O padrão requisitado para nós do gênero feminino, sempre foi o de ser/estarmos bonitas e ponto, como se este fosse o único item em que as mulheres tivessem algo de bom a poder oferecer.
Através do tempo, pela sociedade, mídia e grandes marcas de cosméticos, redefiniu-se o significado da beleza, passando-a de uma mera e discutível característica a um valor único e irrefutável em nossa rotina, uma vez que se uma mulher não tem a beleza esperada às vistas do mundo, ela é automaticamente descartável, marginalizada e sem relevância em sua coletividade. Se uma mulher é chamada de feia durante uma discussão ou, sob qualquer outra circunstância, ela perde o poder de fala, pois, nada é mais forte ou importante que validação da sua aparência.
É preciso urgentemente que nós tenhamos a coragem de descontruir tamanha asneira, a coragem de debater essa terrível obrigatoriedade de se apresentar bonita a todo minuto, e se acaso não estivermos assim, deixar de sermos consideradas desleixadas ou não vaidosas ─ críticas que ainda persistem em influenciar tanto a nossa cabeça.
Saiba que você não é obrigada a ser linda e sim, a encarregada de ser apenas você e dessa maneira, buscar suas conquistas da forma mais serena possível.
Meninas, não se torturem tanto!
Ao invés disso, questionem-se um bocado a mais e quantos mais vocês conseguirem sobre essa premissa.

E antes que venham me falar que esse texto é um mimimi de mulher mal amada e feia, releiam até compreenderem onde está o drive corrompido que lhes causam esse tipo de pensamento. Espelho eu tenho em casa e sou muito contente com o que vejo nele, durmo bem e espero que a partir deste artigo, vocês também.

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4 comentários

  1. Adorei a coluna! <3 Sou suspeito para falar da Olivia, que é uma das escritoras mais carismáticas e inteligentes que eu conheço. Mas não poderia deixar de comentar e parabenizá-la. A beleza está em todos os lugares; em um gesto bondoso, em uma conversa interessante, em uma troca sincera de olhar... Basta querermos enxergá-la. Adorei!

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    1. Fico feliz por ter gostado do texto Robson. Obrigada pelo carinho e reconhecimento de sempre. Um grande beijo.

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