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Geração Diferentona

09:30Danuta Raposo Nunes

No inicio do mês de maio eu resolvi visitar o MASP, aqui em SP com minha amiga Amy. Foi um dia maravilhoso, e MEU DEUS O QUE É AQUELE MUSEU! Mas ficar ali sentada na frente no Masp, observando a Avenida Paulista enquanto eu esperava a Amy chegar me deu tempo para reparar nas pessoas e especialmente reparar na galera mais ou menos da minha idade, da minha geração. 

Eu percebi que de todas as pessoas passando ali, as que aparentavam ter entre 20 e 30 anos eram sempre as mais diferentes. Seja com o cabelo, com a roupa, de alguma forma essas pessoas estavam se destacando do restante - cada uma mais singular que a outra, cada uma mais original e unica que a anterior. 

Ser único e original é sempre legal. Quanto mais verdadeiro você for a seu estilo, a sua personalidade, melhor. Mas olhando todas essas pessoas eu percebi que não é só o ser original por ser fiel a sua personalidade. Ser diferente, estiloso e único era meio que uma regra. Não entenda mal, eu adoro ver quando toda aquela individualidade transborda e toma conta do visual da pessoa. 



Eu fiquei pensando nisso durante dias. Pensando em porque isso me chamou a atenção, porque eu me senti incomodada pelo fato de eu estar ali no meio daquelas pessoas todas tão diferentes (com cabelos coloridos e com sideshaves ou dreads ou moicanos, tatuagens, piercings, roupas estilosas) e eu com meu cabelinho castanho, meu jeans e camiseta básica, minhas tattoos discretinhas e escondidas, meus brincos pequenos e minha maquiagem inexistente. Basicamente, porque eu me senti deslocada por não ser tão diferente quanto eles. A pressão do "ser o mais cool" é que me incomodou.

Eu comecei a perceber que nós nos sentimos sempre tão pressionados a sermos inovadores, estilosos, únicos e com um visual singular e memorável que isso virou uma espécie de regra não falada. Você precisa ser sempre o mais diferente de onde você está. Sempre fazer aquele esforço a mais para ter o cabelo diferentão, vestir aquela roupa super inovadora e aqueles sapatos que ninguém sabe como você consegue andar com eles. Tudo para mostrar sempre o quão único você é. Nós estamos dispostos a fazer o que for para mostrar o quão singulares e originais somos. E se não estamos, deixamos de ser "Cool". 



Já me senti na obrigação de ser sempre a mais diferente, com o cabelo mais chamativo, a roupa mais InStyle, os sapatos mais desafiadores, a maquiagem mais artística. Mas hoje, eu não sou mais cool. 

Hoje não tenho mais cabelo colorido porque não é mais minha identidade, e não tenho mais paciência para cuidar de um cabelo colorido. Deixei de usar os piercings de pressão porque não me sinto mais confortável em enfiar um aro no meu nariz e ficar com vontade de espirrar o dia todo (era assim que eu ficava com eles. Sad but true). Não sou a mais estilosa, não sou "avant Gard", não sou inovadora e chocante. E sabe de uma coisa? Tudo bem ser assim. Tudo bem ser "Boring".

Nós somos uma geração de diferentões. Mas tudo bem você ser normalzinho, não chamar a atenção imediatamente para si o tempo todo, ser aquela pessoa Kinder-ovo: Pra descobrir a sua singularidade a pessoa tem que sentar e bater um papo com você.

Eu sou uma dessas, com certeza. Andando na rua, ninguém iria me parar e me falar "uau, você é muito diferente!", mas me dê cinco minutos do seu tempo e eu tenho certeza que valerá a pena a conversa, e que você vai entender quão unica eu sou. 

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5 comentários

  1. Olá Danuta,
    Eu sou uma pessoa kinder ovo sabe? Normalzinha olhando de fora e mente aberta para conversar sobre tudo.
    Big Beijos,
    Lulu
    BLOG | YOU TUBE

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  2. Que reflexão bacana! Eu acho que me encaixo no estilo "normalzinha" também, apesar de ter várias tatuagens, sou mais discreta e tímida... não uso cabelo colorido porque não combina comigo e não teria paciência para cuidar (o meu já dá trabalho demais rsrs).
    Acho que independente do estilo, o que vale é o que temos dentro da gente, não é mesmo??

    Bjos
    Nessa Luzardo
    www.blogespacosemprebella.com.br
    @blogespacosemprebella

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    Respostas
    1. Exatamente! O que conta e o que tem por dentro.
      Beijos!

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  3. Ótima reflexão, sou tímida, mas apesar disso sou tagarela. Na verdade sou desconfiada, exótica como minha irmã diz rsrs, enfim sou diferentona mesmo, sou bipolar, sou de veneta.

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